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Ashwagandha é segura? O que se sabe sobre riscos, quem deve evitar e a situação na Anvisa

Por AuditaDose · Atualizado em 17/10/2026 · 9 min de leitura

Em 2022 a Anvisa publicou uma medida preventiva proibindo a comercialização de produtos irregulares com ashwagandha, e autoridades de outros países discutem riscos para fígado e tireoide. Veja o que está confirmado e o que ainda precisa ser checado.

Suplementos avaliados no AuditaDose do segmento de libido e climatério: Fort Viril, MenoVita Gold e Testo Xtreme

Resumo rápido

  • A Resolução-RE 3.669, de 4/11/2022, proíbe comercializar, fabricar, importar e divulgar produtos irregulares com ashwagandha; o texto fala em falta de registro, não em estudo de dano.
  • Não confirmamos se a medida segue em vigor nem se a planta foi incluída em lista de suplementos: confira a versão vigente no site da Anvisa.
  • Riscos citados em fontes de saúde: fígado, tireoide, sedação e interações; gestantes e quem tem doença hepática devem evitar.
  • Produtos sem rótulo, dose e CNPJ não permitem checar nada; não pare medicamento por conta própria.

A ashwagandha (Withania somnifera) é uma raiz da medicina tradicional indiana vendida como "adaptógeno", com promessas de menos estresse, mais energia e até mais testosterona. No Brasil, a situação dela é diferente da de uma vitamina qualquer: existe uma medida da Anvisa de 2022 que proíbe a comercialização de produtos irregulares com ashwagandha, e em outros países autoridades de saúde discutem riscos, principalmente para o fígado e a tireoide.

Este texto explica o que sabemos com fonte, o que ainda não conseguimos confirmar e o que isso significa para quem encontra o nome ashwagandha em um anúncio. É um conteúdo informativo, que não substitui orientação de médico ou nutricionista. Se você já usa ou pensa em usar, converse com um profissional antes de comprar.

O que é a ashwagandha e por que ela aparece em tantos suplementos?

A ashwagandha é uma planta de raízes usada há séculos na medicina ayurvédica e vendida hoje como extrato ou pó. Aparece em suplementos porque é associada, por defensores do uso, a "lidar melhor com o estresse", e por isso é chamada de adaptógeno.

O Manual MSD (versão para o público) resume bem o estado do conhecimento: os usos citados vão de ansiedade e sono a força muscular, fertilidade masculina e glicemia, mas as evidências são limitadas, em parte porque os estudos usaram preparações muito diferentes. Alguns trabalhos com extratos padronizados sugerem queda do estresse e da ansiedade e pequena melhora do sono, e o texto diz que são necessários estudos maiores. Também afirma que não há consenso sobre a dose adequada.

Resumo prático: existe algum interesse científico, mas nada que permita a um rótulo prometer resultado. Quando a página de vendas diz que a ashwagandha "equilibra hormônios" ou "turbina a testosterona", ela está indo além do que as fontes sustentam.

Qual é a situação da ashwagandha na Anvisa?

Em 4 de novembro de 2022, a Anvisa publicou a Resolução-RE nº 3.669, com uma medida preventiva envolvendo a ashwagandha. No anexo, o item é listado como "Ashwagandha (todos)", com tipo de produto "medicamento", e as ações são apreensão e proibição de comercialização, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso.

A motivação registrada é a comprovação de propaganda, anúncio de venda e comercialização de produtos sem registro, notificação ou cadastro na Anvisa, fabricados por empresa desconhecida. O texto diz que as ações se aplicam a todos os produtos irregulares contendo ashwagandha e a quaisquer pessoas físicas, jurídicas ou veículos de comunicação que os vendam ou divulguem. A base legal citada é o art. 6º da Lei 6.360/1976 e o inciso XV do art. 7º da Lei 9.782/1999. A resolução entra em vigor na data da publicação.

Duas leituras erradas são comuns. A primeira é achar que a resolução foi um estudo de segurança sobre a planta: o texto fala em falta de regularização, não em dano comprovado. A segunda é achar que ela vale para sempre: medidas preventivas, segundo a própria Anvisa, são atos de precaução, não têm caráter punitivo e valem até que o risco seja superado ou a medida seja revogada. Nas fontes que abrimos, não conseguimos confirmar se a medida de 2022 continua em vigor, nem se a ashwagandha foi incluída depois em alguma lista de constituintes autorizados. Confira a versão vigente no site da Anvisa.

O texto da resolução está reproduzido em cópia disponível no site Fitoterapia Brasil, e a explicação oficial do que é uma medida preventiva está na página de ações de fiscalização da Anvisa.

O que isso significa na prática para quem encontra ashwagandha à venda?

Significa que um produto que anuncia ashwagandha e não mostra registro, notificação, fabricante e CNPJ está exatamente no perfil descrito na resolução, e isso é motivo para não comprar. Um anúncio com número de notificação, fabricante identificável e rótulo completo é diferente, mas o status da regra deve ser conferido na Anvisa antes.

Vale lembrar o contexto em que o nome costuma aparecer: o mercado de suplementos para libido e testosterona e os produtos para o climatério. Nas duas categorias, os anúncios menos transparentes escondem a composição e a dose. Por isso, nas nossas avaliações, a falta de rótulo visível pesa tanto quanto a presença de um ingrediente específico.

Se o produto não mostra sequer o que contém, não há como saber se tem ashwagandha, em que quantidade ou com qual extrato. E sem isso, nem o médico nem o farmacêutico conseguem checar interações, como veremos adiante.

Outro cuidado é com a origem. Anúncios de marketplace e redes sociais mudam de nome, de vendedor e de rótulo com frequência, e um produto pode sumir de uma loja e reaparecer em outra com outra marca. Por isso, guarde a captura da página e o nome do fabricante que aparece na embalagem, porque são eles que permitem checar o produto depois ou fazer uma denúncia à Anvisa, se for o caso.

Quais riscos de segurança são apontados para a ashwagandha?

Os riscos mais citados são lesão no fígado, alteração da função da tireoide, sedação e interações com medicamentos. O Manual MSD lista como efeitos adversos diarreia, dor de cabeça, sedação e náusea, diz que podem ocorrer problemas hepáticos e que a planta pode elevar hormônios tireoidianos.

Na Europa, segundo reportagem da DECO Proteste (Portugal), a Dinamarca proibiu a venda de alimentos e suplementos com ashwagandha em março de 2026, com base em avaliação da Universidade Técnica da Dinamarca, que concluiu não ser possível garantir um nível seguro de consumo. A mesma reportagem diz que França, Alemanha e Países Baixos publicaram avaliações de risco em 2024 com conclusões semelhantes e que a União Europeia ainda não tem decisão conjunta. Entre os riscos listados estão lesão hepática, aumento grave da função da tireoide, taquicardia e arritmias, riscos na gravidez e interações com medicamentos. Leia a matéria original: DECO Proteste sobre a ashwagandha na Dinamarca.

Como é uma fonte jornalística e de defesa do consumidor, e não o documento oficial dinamarquês, tratamos a informação como indicativo do debate regulatório. O que ela reforça é um ponto que as fontes de saúde também repetem: não há estudos toxicológicos suficientes para definir uma dose segura, e por isso a cautela é maior com doses altas, uso prolongado e produtos de origem incerta.

Quem deve evitar a ashwagandha ou conversar com o médico antes?

Segundo o Manual MSD, gestantes, pessoas com úlcera no estômago e pessoas com doença no fígado devem evitá-la, e mulheres que amamentam devem falar com o médico antes. A reportagem da DECO acrescenta menores de 18 anos, pessoas com doenças da tireoide ou outras doenças endócrinas e pessoas com doenças cardíacas ou arritmias.

Também precisam de orientação profissional quem usa medicamentos contínuos. As interações citadas no Manual MSD incluem remédios para baixar a glicose, anti-hipertensivos, imunossupressores, sedativos e hormônios da tireoide. Em outras palavras, a pessoa que toma levotiroxina, remédio para diabetes, para pressão ou para dormir não deve juntar uma planta ao tratamento por conta própria.

Não troque o tratamento por suplemento

Nenhum texto deste site orienta parar ou reduzir medicamento. Se você tem ansiedade, insônia, cansaço persistente, queda de libido ou sintomas do climatério, o caminho é uma consulta. Esses sintomas costumam ter causas que um suplemento sem rótulo não resolve.

O que a evidência permite dizer sobre ashwagandha e testosterona, estresse e sono?

A evidência permite falar em sinais pequenos e inconsistentes, em geral em grupos específicos, e não em efeito garantido. O Manual MSD descreve sinais de redução de estresse e ansiedade com extratos padronizados e pequena melhora do sono, mas ressalva que os estudos são limitados e as preparações variam.

Sobre testosterona, a ficha do Fort Viril registra que alguns extratos, como o de ashwagandha, têm estudos pequenos com resultados modestos, em geral em homens com estresse, fadiga ou níveis baixos, e que isso não pode ser transferido a um produto cuja composição não se conhece. O texto do MSD também lembra que a planta pode aumentar a testosterona, o que pode ter impacto negativo no câncer de próstata, um motivo a mais para falar com médico antes.

Na prática, "pode ter algum efeito em estudo pequeno" é uma frase muito diferente de "aumenta a testosterona". Anúncios que usam a segunda frase sem estudo estão vendendo certeza onde só há hipótese.

O que as avaliações do AuditaDose encontraram em produtos do mesmo segmento?

Entre os produtos que avaliamos, nenhum lista ashwagandha de forma verificável como ingrediente declarado com dose, e o nome só aparece em fichas de produtos de composição escondida. Isso não é detalhe: sem ingrediente declarado, o leitor não consegue conferir nada.

Alguns exemplos mostram o padrão:

  • O Fort Viril (nota 2,6) é vendido para libido e energia masculina e não lista ingrediente, dose ou modo de uso. Na ficha, citamos o alerta da Anvisa sobre gomas e suplementos de desempenho sexual com substâncias de medicamentos sem aviso no rótulo, e registramos que não afirmamos que o produto as contenha.
  • O MenoVita Gold (nota 3,0) fala em "extratos botânicos" para o climatério sem nomear nenhum. Na ficha, a ashwagandha aparece como um dos adaptógenos comuns em produtos parecidos, com a ressalva de que não sabemos se está na fórmula e de que ela pode interferir em medicação para tireoide.
  • O Testo Xtreme (nota 3,4) cita quatro ingredientes sem dose e promete aumento de testosterona em até 300%.
  • O Restart Power (nota 2,9) é um blend de nove ervas para energia, humor e libido, sem dose, sem modo de uso e sem CNPJ à vista.

O ponto em comum é o mesmo: o consumidor é pedido a confiar sem poder verificar. Explicamos como pesamos esses critérios em como avaliamos.

Como checar um produto que cita ashwagandha antes de decidir?

Use a tabela como roteiro. Se duas ou mais respostas forem "não", não compre e, se já usa, converse com um profissional.

PerguntaOnde conferirSe a resposta for "não"
A página mostra fabricante, CNPJ e endereço?Rodapé e página de termosAusência de identificação é o perfil descrito na medida de 2022
Há número de notificação ou registro?Rótulo e consulta no site da AnvisaNão dá para saber se o produto é regular
O rótulo traz a lista completa com dose de cada ingrediente?Tabela nutricional na página e na embalagemImpossível comparar com estudos e checar interações
Diz qual extrato é usado (raiz, folha, padronização)?Lista de ingredientesPlanta em pó e extrato padronizado são coisas diferentes
Há aviso para gestantes, tireoide, fígado e medicamentos?Advertências no rótuloRótulo sem aviso é sinal de pouca seriedade
Promete aumentar testosterona ou "equilibrar hormônios"?Texto de vendasPromessa sem estudo é marketing

Para calcular o custo real de qualquer suplemento que mostre dose, use a calculadora de custo por dose.

E se você já usa ashwagandha ou comprou um produto com ela?

Não pare nenhum medicamento por conta própria por causa deste texto. A conduta razoável é guardar a embalagem, anotar a marca, a dose e há quanto tempo usa, e levar essas informações a um médico ou farmacêutico, especialmente se você toma remédios de uso contínuo ou tem problema de tireoide, fígado ou coração.

Procure atendimento se surgirem sinais de alerta de fígado, como urina escura, pele ou olhos amarelados, coceira intensa ou dor abdominal, ou sintomas de tireoide acelerada, como palpitação e tremor. Quem identificar um produto suspeito, sem registro ou com efeito adverso, pode comunicar à Anvisa pelos canais oficiais do site da agência.

Para entender os outros riscos de comprar suplementos sem rótulo claro, consulte os guias do AuditaDose.

Perguntas frequentes

Ashwagandha é proibida no Brasil?

A Anvisa publicou em 4 de novembro de 2022 a Resolução-RE nº 3.669, que proíbe comercializar, distribuir, fabricar, importar e divulgar produtos irregulares contendo ashwagandha. Não confirmamos se a medida segue em vigor, então confira a versão vigente no site da Anvisa.

Ashwagandha faz mal ao fígado?

Fontes de saúde citam relatos de problemas hepáticos associados ao uso, e por isso pessoas com doença no fígado devem evitar a planta. Se houver urina escura, pele amarelada ou dor abdominal, procure atendimento médico.

Quem não deve tomar ashwagandha?

O Manual MSD indica evitar em gestantes, pessoas com úlcera de estômago e com doença hepática, e consultar o médico durante a amamentação e no uso de certos medicamentos. Pessoas com problemas de tireoide também precisam de orientação, porque a planta pode elevar hormônios tireoidianos.

Ashwagandha aumenta a testosterona?

Há estudos pequenos com resultados modestos, em geral em homens com estresse, fadiga ou níveis baixos, e eles não valem para um produto de composição desconhecida. Queixas de libido e testosterona baixa pedem avaliação médica.

Como saber se um suplemento com ashwagandha é regular?

Procure fabricante identificado, CNPJ, número de notificação e rótulo completo com dose por ingrediente, e confira o status da planta no site da Anvisa. Se a página não mostra nada disso, não compre.

Avaliações citadas neste artigo

Fontes

Conteúdo informativo. Não substitui orientação de médico ou nutricionista. Revisamos este texto quando as regras mudam; confira sempre a norma vigente no site do órgão citado.

Em resumo

Em 2022 a Anvisa publicou uma medida preventiva proibindo a comercialização de produtos irregulares com ashwagandha, e autoridades de outros países discutem riscos para fígado e tireoide. Veja o que está confirmado e o que ainda precisa ser checado.

  • A Resolução-RE 3.669, de 4/11/2022, proíbe comercializar, fabricar, importar e divulgar produtos irregulares com ashwagandha; o texto fala em falta de registro, não em estudo de dano.
  • Não confirmamos se a medida segue em vigor nem se a planta foi incluída em lista de suplementos: confira a versão vigente no site da Anvisa.
  • Riscos citados em fontes de saúde: fígado, tireoide, sedação e interações; gestantes e quem tem doença hepática devem evitar.
  • Produtos sem rótulo, dose e CNPJ não permitem checar nada; não pare medicamento por conta própria.